segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

SAIBA MAIS SOBRE A LOGÍSTICA


O QUE É LOGÍSTICA

A LOGÍSTICA existe desde os tempos mais antigos. Na preparação das guerras, líderes militares desde os tempos bíblicos, já se utilizavam da logística. As guerras eram longas e nem sempre ocorriam próximo de onde estavam as pessoas. Por isso, eram necessários grandes deslocamentos de um lugar para outro, além de exigir que as tropas carregassem tudo o que iriam necessitar.
Para fazer chegar carros de guerra, grandes grupos de soldados e transportar armamentos pesados aos locais de combate, era necessária uma ORGANIZAÇÃO LOGÍSTICA das mais fantásticas. Envolvia a preparação dos soldados, o transporte, a armazenagem e a distribuição de alimentos, munição e armas, entre outras atividades.
Durante muitos séculos, a Logística esteve associada apenas à atividade militar.
Por ocasião da Segunda Guerra Mundial, contando com uma tecnologia mais avançada, a logística acabou por abranger outros ramos da administração militar. Assim, a ela foram incorporados os civis, transferindo a eles os conhecimentos e a experiência militar.
Podemos dizer que a logística trata do planejamento, organização, controle e realização de outras tarefas associadas à armazenagem, transporte e distribuição de bens e serviços.
Exemplo de Logística
A indústria japonesa produz eletro-eletrônicos competitivos e, por isso, consumidos no Mundo todo. Para conseguir estes resultados, foi preciso projetar e desenvolver o produto adequado, armazená-lo corretamente, controlar os estoques, transportar, distribuir e oferecer assistência técnica de acordo com o desejado por seus consumidores.
Esse exemplo nos mostra que, ainda que os locais onde os produtos são manufaturados estejam distantes de onde serão consumidos, é possível, através da logística, atender satisfatoriamente aos consumidores.
No Brasil, os alimentos são transportados das zonas rurais até os centros urbanos. E, as mercadorias produzidas nas grandes cidades são levadas até o campo, em geral percorrendo grandes distâncias.
Por ser capaz de promover essa integração, é que o transporte é a atividade logística mais importante.
Transportar mercadorias garantindo a integridade da carga, no prazo combinado e a baixo custo exige o que se chama "logística de transporte".
A movimentação dos produtos pode ser feita de vários modos: rodoviário, marítimo, ferroviário e aeroviário. A escolha depende do tipo de mercadoria a ser transportado, das características da carga, da pressa e, principalmente, dos custos.
Em nosso país, o modo de transporte de carga mais utilizado é o rodoviário. Mas é preciso adequar o equipamento ao tipo de carga a ser transportada. Por exemplo: contêineres necessitam de um cavalo mecânico; para distribuir produtos nas cidades, o caminhão-toco é o mais adequado.
A característica da carga define o tipo de transporte a ser empregado. Para carga a granel, é preciso uma carreta graneleira e não um caminhão-baú. Carga líquida só pode ser transportada em caminhão tanque.
Estas, entre outras, são variáveis que fazem parte da estrutura logística. São exemplos de sua aplicação. Porém, se a logística não auxiliar na melhoria de desempenho e na redução dos custos, os serviços de transporte não serão competitivos.
A logística movimenta o mundo, pelo menos no mercado global.
Durante um painel de debates intitulado “Logística: ponte para a prosperidade global”, promovido pelo Fórum Global da Wharton realizado em Istambul nos dias 8 e 9 de junho, o moderador George Day referiu-se à logística como “tecido conectivo que faz a economia global funcionar”. A logística, disse Day, pode ser “uma fonte incomensurável de vantagem competitiva, além de ajudar a expandir e a lançar novos modelos de negócios”. Combinada com a tecnologia da informação, acrescentou, a logística pode “ampliar de forma espetacular o alcance geográfico de empresas grandes e pequenas”. Para explicar o papel cada vez mais preponderante da logística, Day, professor de Marketing da Wharton, contou com a colaboração de Michel Akavi, CEO da DHL Worldwide Express do Oriente Médio, Mirzan bin Mahantir, presidente do conselho e diretor-geral da Konsortium Logistiks Berhad, com sede na Malásia, e Yavuz Cizmeci, presidente do conselho das Linhas Aéreas ACT da Turquia.

“Logística quer dizer deslocar o produto certo, em quantidades certas, para o lugar certo na hora certa”, disse Day, professor de Marketing da Wharton e estudioso de logística baseada no desempenho de empresas como a Cisco Systems e General Electric. “As cadeias de suprimentos realmente boas resultam em custos substancialmente baixos, menor volume de estoque e melhor prestação de serviço ao consumidor. É o caso da Cisco. Seu grupo de serviço de pós-vendas é um negócio de 4 bilhões de dólares que distribui 720.000 peças de reposição para as diversas instalações fabris da empresa. A logística dessa operação envolve clientes, engenheiros de campo, além de centros de execução, distribuição e reparos de materiais. “Quanto mais eficiente for a administração da logística, tanto maior a possibilidade de banir as incertezas do sistema”, disse.

Logística: oito tendências
Michel Akavi, outro debatedor convidado, disse à platéia presente ao fórum que quando perguntou à profissional responsável pela organização das palestras em que local o grupo de discussões se reuniria, ela lhe respondeu que as pessoas “se atrasariam um pouco, mas que pouco a pouco iriam chegando. Então eu disse: ‘Ótimo. Elas precisam de uma sessão de logística para acordar’”.

Akavi decidiu despertar o grupo com um debate sobre as oito tendências que, em sua opiniçao, influenciam atualmente a logística. A primeira delas, disse, é a “explosão” do comércio global e da produção global devido à “derrocada da velha ordem política, principalmente do comunismo. Além disso, a barreira de costumes não existe mais, sobretudo na Europa, e há um volume maior de comércio entre as regiões oriental e ocidental do continente. Akavi citou também o Acordo de Livre Comércio Norte-Americano (Nafta), a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio). Quanto mais eventos dessa natureza houver, maior a necessidade da logística”.

Veja o caso da Internet, disse Akavi. Como somos uma empresa que entrega documentos de porta em porta, “ficamos apavorados com o advento da Internet. Felizmente, porém, os documentos precisam ser assinados, selados e carimbados [...] Esperamos que a Turquia não adote o mau hábito da assinatura eletrônica quando passar a integrar a UE”, disse Akavi com um sorriso, acrescentando que “os produtos não viajam eletronicamente, ainda bem!” Quanto mais as pessoas utilizarem a Internet, maior será o volume de negócios, mais pesados serão os pacotes e maior a necessidade de cartas para fazer o mundo girar.

Segunda tendência: transição para uma sociedade pós-industrial. “A população dos países ocidentais estagnou; a média de idade está aumentando, gasta-se mais dinheiro com comunicação e saúde e menos com produtos produzidos em massa. Existe, portanto, uma tendência para produtos de nichos mais transitórios e individuais combinada com serviços.” Isto significa que uma variedade maior de bens precisa ser transportada, de formas mais especializadas, diretamente para o usuário/consumidor. ‘Portanto, a indústria da logística precisa se especializar em nichos, assim como a indústria têxtil requer empresas que sejam sensíveis às tendências da moda. Não se pode produzir um milhão de produtos em um único lugar de uma só vez. É preciso produzi-los depressa”, geralmente em partes distintas do planeta.

De acordo com a terceira tendência, vivemos hoje em um “mundo on-demand (em que o consumidor diz o que quer, quando quer e como quer)”, disse Akavi. “Nossa sociedade rendeu-se ao bordão ‘tempo é dinheiro’. Caminhamos para um ambiente de concorrência centrado no tempo. A velocidade quase que supera em importância o preço. Vemos isso na microeletrônica, com seus chips e consoles de jogos. No segmento de PCs e de telefones, o termo utilizado é ‘agilidade’ — ou a capacidade de chegar primeiro ao mercado. A demanda está mudando o mundo da logística.”

A quarta tendência diz respeito à crescente sensibilidade em relação ao meio ambiente. As pessoas indagam agora: “Como podemos transportar menos, de maneira mais eficiente, e o que devemos fazer para reciclar mais?”, disse Akavi. “Na Europa, observamos que o tráfego de caminhões nas rodovias é cada vez mais restrito. Na Áustria, alguns caminhões não podem circular nos finais de semana. As ferrovias estão sendo mais utilizadas para o transporte de bens, porque o consumo de energia é menor. Existe também uma preocupação maior com aeronaves barulhentas. Tivemos de substituir nossos aviões em Bruxelas por aparelhos menos ruidosos; agora, estamos transferindo nossa central de vôos de Bruxelas para Leipzig, na Alemanha, uma região menos povoada. O cuidado com o meio ambiente está modelando a indústria.”

A quinta tendência, diz Akavi, “consiste na redescoberta da organização dos processos estruturais” baseados na maior eficiência e na melhor organização. A sexta tendência consiste na “desregulamentação e na privatização dos serviços públicos nas comunicações e nos transportes. Somos um bom exemplo disso”, disse Akavi. O correio alemão (Deutsche Post), dono da DHL, “tinha um sistema postal ineficiente e apático. Depois de privatizado e modernizado, começou a dar lucro. Em seguida, passou a refletir sobre sua missão: seria vender selos pelo resto da vida? Foi assim que passou de serviço postal à empresa de logística e transporte integrados”.

A sétima tendência enfatiza a geração de valor para o acionista. “A logística procura agora ressaltar as competências básicas. Já vimos empresas se desfazerem de negócios para se concentrar unicamente em suas competências básicas. O transporte agora passa por uma etapa de forte terceirização”, o que ajuda fornecedores terceirizados, como a DHL, a crescer e também contribui com o crescimento de empresas de logística que operam com transportes especializados.

A oitava e última tendência, de acordo com Akavi, diz respeito às tecnologias de comunicações mais recentes. “Com a Internet, sabemos perfeitamente onde está nosso transporte e podemos contactar seu call center caso o produto fique retido em algum lugar. Hoje podemos utilizar também telefones móveis para isso. O rastreamento e a localização estão se tornando cada vez mais comuns. Nossa empresa é capaz de rastrear automaticamente todos os embarques feitos e detectar quaisquer problemas antes que o cliente se dê conta de que sua encomenda não chegou.” A tecnologia de RFID — etiquetas de identificação por radiofreqüência — é de “importância fundamental para nosso setor. Sem ela, seria muito difícil localizar uma encomenda em nossos depósitos gigantescos. Essa tecnologia terá um impacto muito grande nos próximos anos”.
POR: VERA BUSSINGER é presidente do IDELT - Instituto de Desenvolvimento, Logística, Transporte e Meio Ambiente

Nenhum comentário: